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segunda-feira, 14 de junho de 2010

33% dos alunos da rede privada já se embriagaram

Eles relatam que bebedeira ocorreu pelo menos um mês antes da pesquisa

Entre estudantes do ensino fundamental, os que ficaram bêbados ao menos uma vez na vida somam 14%


Dados inéditos de uma pesquisa sobre o uso de drogas entre os alunos de escolas particulares da cidade de São Paulo revelam que um em cada três estudantes do ensino médio se embriagou pelo menos uma vez no mês anterior ao levantamento.


Os dados mostram ainda que a bebedeira -consumo de cinco ou mais doses na mesma ocasião- é uma prática comum para muitos dos que têm idade entre 15 e 18 anos: 7% dos meninos e 5% das meninas fazem isso de três a cinco vezes por mês.


A pesquisa, do Cebrid (Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) da Unifesp, ouviu, em 2008, 5.226 alunos do ensino fundamental e médio de 37 escolas -os dados só foram concluídos agora.


Entre os estudantes do ensino fundamental (7ª e 8ª séries), o total dos que se embriagaram ao menos uma vez no último mês é menor (14,2%), mas surpreende por conta da idade: geralmente entre 13 e 15 anos.


FATOR DE RISCO

Segundo a pesquisa, o fator de risco mais associado ao consumo excessivo de álcool é sair à noite.

O grupo de alunos que saem ao menos uma vez por semana tinha quase dez vezes mais chances de ter tomado uma bebedeira no mês anterior que os que não saem.


Ricardo (nome fictício), 16, costuma sair à noite três vezes por semana. Sábado, na companhia de dois amigos, estava na rua Augusta com uma garrafa de vinho.


"Não dou mais "PT", mas fico bêbado, lógico. Com seis latinhas já estou "alto'", afirma o rapaz, explicando que "PT" significa perda total: "passar mal, vomitar, ir para casa mal". Experiência que os três dizem ter vivenciado.

 "Agora só bebo socialmente. Antes, bebia meia garrafa de vodca sozinho", diz João, 15, amigo de Ricardo.

Apesar de a venda de álcool ser proibida para menores, a turma comprou a garrafa num mercado na redondeza, sem mostrar identidade.


DIÁLOGO
"A intoxicação por álcool tem efeito estimulante, no primeiro momento. Isso favorece a agressividade e comportamentos impulsivos e diminui a autocrítica. É o que deixa a pessoa mais em risco", diz Ana Regina Noto, professora da Unifesp e coordenadora da pesquisa.

"Mas não é prendendo o filho em casa que um pai vai evitar que ele beba demais", diz o psiquiatra da Unifesp Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes).


"O ideal é investir em fatores de proteção, como conversar. Perguntar o quanto o filho bebe, como bebe, por que bebe... E aí entrar numa estratégia de redução de danos mesmo", diz Xavier.

Folha On-line

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Obesidade e hormônios em alimentos antecipam a chegada da puberdade

Elas largam bonecas para se dedicar a maquiagens e revistas com os astros de Hollywood. Eles folheiam escondidos revistas masculinas, sonhando com as beldades da televisão. Seria normal se não fossem crianças com até 10 anos de idade. A tendência de amadurecimento precoce é global, afirmam especialistas. Pesquisa realizada no Paraná de 2006 a março deste ano pela rede de medicina diagnóstica Dasa confirma a conclusão.
Como o ‘Informe do Dia’ revelou ontem, de 526 crianças analisadas, 89,16% apresentavam sinais de antecipação da maturidade. “Sabemos que a incidência da puberdade precoce no mundo está maior”, explicou o autor da pesquisa, o endocrinologista Mauro Scharf. O também endocrinologista Paulo Solberg, da Sociedade Brasileira de Pediatria, a puberdade é precoce quando os sinais aparecem em meninas antes dos 8 anos de idade e, em meninos, antes dos 9.
“O ideal é que a criança seja avaliada logo que começar o desenvolvimento puberal, para que o médico possa analisar se é necessário interromper esse processo”, esclarece Solberg, ressaltando que, em alguns casos, a puberdade precoce está ligada a doenças. “Não é o esperado nem ideal que a menina menstrue aos 9 e anos de idade. É fundamental que essa criança seja avaliada”, destaca.
Scharf ressalta que alguns tumores, como o de suprarrenal, ovários, testículos ou sistema nervoso central, têm como sintoma a puberdade precoce. O problema também pode estar ligado à obesidade. “O corpo reconhece o peso como o de uma pessoa mais velha e dispara os mecanismos hormonais”, ressalta.
Maria Alice Bordallo, do Departamento de Endocrinologia-Pediátrica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, afirma que a presença de hormônios em alimentos também pode desencadear o problema. “Estudos indicam que pesticidas e agrotóxicos aceleram a maturidade, mas em 95% dos casos em meninas a puberdade precoce é idiopática, ou seja, não tem uma causa orgânica. Nos meninos, é mais comum ter relação com alguma doença”, explica Bordallo.
Segundo a médica, a puberdade precoce pode ser interrompida por meio de injeção uma vez ao mês. “Mas cada caso é diferente. Se não for afetar a vida da criança, não tem por que tomar essa atitude”, explica, ressaltando que os pais devem ficar atentos. “São crianças mais vulneráveis a abusos sexuais, pois elas às vezes não entendem. Os pais devem ficar muito atentos e dialogar”, conclui.
O estudo da Dasa foi feito com crianças encaminhadas por médicos interessados em checar os sinais da precocidade nos pacientes e, portanto, os resultados são superiores aos da população em geral. “Os números revelam uma situação específica do Paraná com pacientes que já tinham sinais de puberdade precoce. Não foram crianças escolhidas aleatoriamente”, frisou Scharf.
Diálogo em casa sobre as mudanças no corpo
Uma vez ao mês, Júlia Assumpção, 9 anos, tem um cuidado que a maioria das meninas da sua idade ainda não tem: comprar absorventes e evitar usar roupas brancas ‘naqueles dias’. Pode parecer estranho para alguns, mas Júlia tira de letra. Tudo porque a mãe da menina, a piloto de avião Nívia Assumpção, 36 anos, logo que percebeu os sinais de amadurecimento da filha, explicou para a menina o que estaria por vir. “Quando ela completou 7 anos, começou a ter pelos pubianos. Levei ao endocrinologista e ela começou a fazer acompanhamento médico e tratamento para evitar a menstruação ”, contou Nívia.


O mesmo cuidado tem a esteticista Rosemary Bello, 38 anos. A filha, Aline Landeira, 10 anos, ainda não menstruou, mas já usa sutiã. “Quando ela completou nove anos percebi que os seios estavam crescendo. Conversamos muito e a levei ao pediatra”, contou a mãe. Rosemary afirma que o caso de Aline não é o único na turma de amigas da menina. “Todas elas já estão passando por isso. Eu me assustei, pois tive minha primeira menstruação aos 14. Mas ela lida bem com isso”, diz Rosemary.
Tão bem que Aline já pensa em usar silicone. “Se meus seios não crescerem mais, vou colocar!”, contou a menina, que trabalha como modelo infantil nos intervalos entre brincar de boneca e estudar Português e Matemática.

POR CLARISSA MELLO

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"A erotização, mais que uma violência, é um retorno à escravidão"

EROTIZAÇÃO PRECOCE E EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL

Albertina Duarte divide seu tempo entre o consultório, o Hospital das Clínicas e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, onde coordena o Programa Saúde do Adolescente desde 1986. Médica obstetra formada há 38 anos, foi uma das primeiras profissionais a lidar com a ginecologia infanto-juvenil no Brasil, ainda na década de 1970. Nesse período observou mudanças no comportamento de meninas e meninos, presenciou diversas conquistas das mulheres na sociedade e não tem dúvidas de que hoje o diálogo familiar em torno da sexualidade é muito mais aberto do que há 40 anos.

No entanto, Albertina também chama a atenção para um fenômeno que impacta de forma brusca e trágica a vida de crianças e adolescentes: a erotização precoce estimulada pela “política do consumo”, como diz. Ela conta que muitas de suas pacientes sentem-se discriminadas por não terem a roupa da moda ou são excluídas por não seguirem um padrão de beleza imposto pelo mercado.


Para ela, a velha desculpa de que a responsabilidade de toda a situação de violência que vivemos é dos pais não cabe mais nesse debate. “As famílias estão separadas, a mulher entrou no mercado de trabalho, as mães têm menos tempo para cuidar dos filhos. Isso é uma verdade internacional, mas isso não pode ser uma desculpa internacional”, alerta.



CeC - Há quanto tempo a senhora lida com adolescentes?

Albertina Duarte - Desde 1971, quando foi inaugurado o primeiro ambulatório de ginecologia infanto-juvenil do Brasil, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Eu tinha um ano de formada e fui convidada para fazer parte deste trabalho. A ginecologia infantil no Brasil começou nessa época. Na Argentina, o trabalho teve início em 1950 e, nos EUA, em 1940. Até então, essa área era muito mais voltada para a mulher adulta. Foi exatamente em setembro de 71 que se iniciou essa questão aqui, com o ambulatório e com o primeiro livro sobre o assunto, do qual eu sou co-autora, com revisão do Prof. Álvaro Bastos, publicado em 1975.


CeC - Por que o Brasil começou a tratar a questão tanto tempo depois de outros países?


Albertina Duarte - As políticas públicas do Brasil eram mais voltadas para a questão materno e infantil. Então, os focos maiores eram relacionados à puericultura, ou seja, logo ao nascer. A visão da mulher como um todo - e da mulher com seu ciclo de vida, na infância, na adolescência, até a fase adulta e da terceira idade - não existia. E o foco ainda era o tratamento da doença, e não a prevenção da saúde. Mas os movimentos de mulheres que começaram nos anos 70 apontaram para a importância de todas essas fases da vida.


CeC - Nesse período, da década de 70 até hoje, que tipo de mudanças a senhora observou com relação à sexualidade?


Albertina Duarte - Sem dúvidas, as mulheres não tinham voz para falar sobre a sua sexualidade até os anos 70. Elas sentiam-se culpadas por não terem orgasmo, não terem prazer. Poucas falavam da questão da anticoncepção. Então, havia todo um sentimento de culpa ou de cobrança. A partir da década de 80, elas passaram a se voltar mais para a sexualidade, a falar dos seus comportamentos. Isso é um fenômeno mundial. Mas também foi nesse período que a atividade sexual começou a ser cada vez mais precoce. Precoce não em termos só de idade, mas em relação a vínculos afetivos. Em muito pouco tempo de conhecimento entre os parceiros, já há a relação sexual e a mulher passa a ser vítima da cobrança no que diz respeito ao corpo.


CeC – O que contribuiu para que isso acontecesse? A mídia tem um papel nesse processo?


Albertina Duarte - Eu não acho que seja apenas a mídia. Acho que é uma política de corpo na qual a mulher começa – no movimento histórico – a se cobrar por não ter o corpo exigido pelos padrões globais, internacionais de beleza. A mulher começa a lutar pelas suas reivindicações, pelos seus cuidados... Mas também passa a ser pressionada pelo consumo, com as vendas de produtos de beleza, da moda e tudo mais. Então, há dois movimentos: um movimento de mulheres voltadas para discutir seus direitos e sua força, e outro que utiliza a mulher para que ela sinta a necessidade de consumir muita coisa para ser aceita socialmente. A política de consumo faz com que a mulher fique erotizada. Hoje a moda faz com que as crianças vistam-se como pequenas adultas e usem objetos de consumo para se sentirem aprovadas. Na escola, a menina que não tem o tênis da moda, acaba se sentindo discriminada. A questão da erotização passa também por uma necessidade de vender produtos que valorizam o corpo das meninas e dos meninos. E com certeza as roupas da moda são objetos eróticos.


CeC – Hoje os adolescentes têm dificuldades de lidar com a sexualidade e o sexo? Eles se têm se envolvido cada vez mais jovens com essas questões?


Albertina Duarte - O diálogo mudou. Hoje com certeza os pais falam mais sobre a questão sexual e a AIDS certamente obrigou essa participação mais ativa dos pais na conversa sobre sexualidade. Em todo o mundo, a questão da sexualidade e o medo de morrer de AIDS são determinantes para uma mudança de comportamento. A AIDS ainda tem o agravamento do medo da morte. Se durante muitos anos o medo era de engravidar, a partir dos anos 80 os pais começaram a ter medo de os filhos morrerem. E começaram a trabalhar com as questões de dialogar sobre sexo. Eu tenho 38 anos de formada e não tenho dúvidas de que falar com os pais hoje sobre sexualidade está muito mais fácil do que há 10, 20 anos. Não só porque eu estou mais preparada, mas porque a sociedade está exigindo isso. A sexualidade passou a ser discutida não mais com foco na insegurança. O contato passou de “como são as cegonhas” a “como se transa”. Há informações na mídia, que considero importantes e interessantes, que colocam as questões da camisinha, por exemplo. E observo que há duas mídias diferentes: a que informa, que discute, e a que é patrocinada para consumir. Hoje a mesa do mundo mudou porque esses patrocinadores precisavam vender alimentos. O que você vê na mesa da família atual é diferente do que se via há 30 anos. Também temos um excesso de consumo de roupa. Eu não tinha isso nos anos 70, de uma criança precisar usar maquiagem, creme no corpo. Desde a maternidade, a lista já começa com ítens de consumo que só falta colocar camisinha infantil para recém nascido!


CeC - A senhora acha que a sociedade como um todo percebe a relação dos problemas ligados à sexualidade com o estímulo ao consumo?


Albertina Duarte - Eu acho que os pais são reféns. Eles são heróis e deram um salto inacreditável. Foi o salto de, sem serem ouvidos quando adolescentes, passarem a falar com os seus filhos sobre a questão. Pai que nunca pôde namorar dentro de casa, hoje prefere que o filho fique com a namorada dentro de casa do que sofra um abuso, uma violência na rua. O mundo mudou. A violência exigiu uma série de mudanças sexuais, a AIDS fez a sua função, e alguém ganhou. Quem ganhou? O pessoal do “consumir para lucrar”. O problema foi que as políticas públicas não alertaram os pais para isso.


CeC - A atividade sexual é cada vez mais precoce, mas a senhora não relaciona isso somente à idade. O que mais contribui?


Albertina Duarte - A menstruação, quando eu me formei, acontecia aos 13 anos. Hoje acontece aos 12. Eu já fiz parto de menina de nove anos de idade. São três mil casos de meninas que menstruam antes dos 10 anos. Meninas com seis anos que começam a ter mamas, pêlos, e que são abordadas na escola como pequenas mulheres. Eu atendia uma menina que de sete anos que era obrigada pelos meninos da oitava série (ela estava na terceira) a fazer poses eróticas. A gordura, o aumento de peso, e o excesso à exposição à luz e ao som estão relacionados à puberdade precoce; existem vários fatores. Se você antecipa a menstruação, você antecipa também caracteres sexuais secundários, quer dizer, quem menstrua aos 9, 10, começa a ter caracteres sexuais secundários três anos antes. Então, com sete ou oito anos, as meninas muitas vezes já se tratam como mulheres. Com os meninos isso também acontece.  Essa situação não teve uma abordagem social das autoridades. Não é só uma política pública, é uma discussão nacional para que os pais tenham ferramentas para proteger os seus filhos. Não basta dizer: “A coisa começa em casa”. Não é bem assim. As famílias estão mudando. As famílias estão separadas, a mulher entrou no mercado de trabalho, as mães têm menos tempo para cuidar dos filhos. Isso é uma verdade internacional, mas isso não pode ser uma desculpa internacional. Não basta um discurso dizendo que é preciso que as famílias voltem às origens. Elas já estão em outra etapa. É preciso que o Estado e a sociedade garantam que as famílias não sejam culpadas pelas situações que estão acontecendo. Eu sei muito bem ver os sinais de abuso.


CeC - E quais são esses sinais?


Albertina Duarte – O primeiro é a queda do desempenho escolar. Depois observa-se a alegria, os olhos, o movimento da criança. Ou ela começa a falar muito rápido, fica muito agitada, ou muito quieta. E a mudança é brusca. Você vê uma criança que brinca de boneca, que conversa, e de repente ela passa a ficar diferente. Não participa mais, quer ficar sozinha. Esses são sinais importantes. Se essa criança chora ou não dorme direito pode ser até uma dor de barriga, mas pode ser uma gravidez. A mãe deve ficar na retaguarda e saber identificar quando seus filhos estão diferentes. Uma criança que só fica no computador, que fica quieta o tempo todo, não tem nenhuma recreação, não tem horário para comer pode estar com problemas.


CeC – A violência sexual atinge todas as camadas socioeconômicas?


Albertina Duarte - A violência sexual atinge crianças e adolescentes de altíssima classe social até de classes sociais mais baixas. Se nós temos um sinal democrático que é horrível, é a violência. Ela perpassa todas as classes sociais com quase a mesma intensidade. E muitas vezes uma família de nível social muito alto tem as mesmas poucas ferramentas que aquela mais pobre. Quando uma criança de oito anos de uma camada social mais baixa é estuprada, a mãe chega muito mais rápido a mim do que uma menina de nível social alto. As políticas públicas são importantes, mas é preciso uma discussão agora! Nós sabemos que a erotização é um fenômeno, que a violência sexual é um fenômeno, que o tráfico de mulheres é um fenômeno, e que as mulheres estão indo para fora do Brasil porque há um mercado para isso. Se existe um mercado brasileiro garantido é o da prostituição. Se nós já sabemos identificar o turismo sexual, o mercado da prostituição e a erotização, o que fazer? É preciso que o coletivo das autoridades, da escola, da saúde, da educação passe a fazer um debate sério. Por isso que eu luto tanto pela causa na área da saúde, para que essas crianças e adolescentes não sejam escravos da oferta de consumo sexual.


CeC – Na opinião da senhora, qual é a maior dificuldade de estabelecer esse debate de forma mais séria?


Albertina Duarte - No Estado de São Paulo conseguimos reduzir a gravidez na adolescência em 34%.  Nós temos um SUS e uma legislação fantástica, a melhor do mundo. Somos um país que tem recursos, sim. Da mesma forma que construímos casas populares, hospitais e implementamos várias “bolsas famílias”, deve existir a bolsa saúde, uma bolsa de discussões. É preciso popularizar o acesso ao debate. Devemos formar profissionais capazes de entender o erotismo. Acho que na escola pública e privada tem de se discutir o erotismo. A erotização, mais que uma violência, é um retorno à escravidão.


CeC - Como as suas pacientes reagem a essas questões?


Albertina Duarte - Eu já fiz parto de menina de 10, 11 anos, e realmente é um impacto. Uma criança tomando conta de outra criança. O que a gente tem feito é primeiro tentar fazer com que essa criança tenha um vínculo com o filho. Num primeiro momento ela até fica feliz, mas veja, a vida passa. O grande problema é como essa criança fica socialmente excluída. Ela entra no mercado de trabalho sem condições. Então, ela volta a engravidar.


Fonte : Instituto Alana

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dependência do computador afasta crianças e adolescentes do mundo real Parte II

Dependência do computador afasta crianças e adolescentes do mundo real Tratamento
Sessões de terapia, remédios e tratamento de outros problemas geralmente associados, como depressão e ansiedadePrevenção inclui jogos reais e lazer fora de casa


Estudos apontam que entre 5% e 8% dos usuários tendem a desenvolver dependência do computador - o que no Brasil significa algo em torno de 4 milhões de pessoas. Quando se trata de crianças e adolescentes, algumas formas de prevenção são: não deixar a máquina no quarto, e sim numa área de uso comum da casa, oferecer jogos reais, e não virtuais, além de atividades de lazer fora de casa, como passeios ao ar livre e idas ao cinema.

O psiquiatra Gabriel Bronstein trabalha com quadros de dependência há três anos e já conheceu situações extremas, como o de um rapaz de 17 anos, funcionário de uma oficina, que gastava o salário na lan house.

Sua mãe foi até a loja e suplicou para que o dono não o deixasse mais entrar lá. Outro, de 15 anos, era entregador de supermercado e deixava de fazer as entregas para jogar. Foi demitido.

Bronstein viu ainda casos de crianças que pararam de viajar com os pais nas férias porque não queriam se distanciar do computador. "Nem sempre o prejuízo é visível, por isso é comum os pais demorarem a perceber." As situações podem ser tão graves quanto as dos dependentes de drogas e álcool - o que move todo dependente, afinal, é a busca pelo prazer.

Conforme se vai jogando, ocorre liberação de dopamina no sangue, o que faz com que se queira mais horas ao computador. Além da psicoterapia, o tratamento pode incluir medicação e orientação aos pais, que precisam se mostrar parceiros da criança. Não é necessário tirar completamente o computador, como nos casos de alcoolismo. O importante é a recuperação de seu uso de modo saudável.



O Estado de S. Paulo
, Vida &, 10/5/2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dependência do computador afasta crianças e adolescentes do mundo real

Aos doze anos, Derek era um menino a quem o pai, William, considerava normal: aluno regular, com amigos na vizinhança, que jogava futebol e passeava com a família. Na passagem para os treze, mudou. Não pisa mais na rua e só quer ficar diante do computador. Quando avistam William, os outros garotos perguntam "E aí, cadê o vício?" As crianças perceberam o que Derek se recusa a ver: ele tem uma relação de dependência com o computador, jogando por oito horas diárias.

O menino evita qualquer atividade que o faça desgrudar da tela, até mesmo ir ao banheiro e comer. "O jogo virou prioridade na vida dele. Estamos num beco sem saída", conta William, técnico em refrigeração que, como a mulher, passa o dia fora. Preocupado, o casal levou Derek à Santa Casa de Misericórdia do Rio, que montou o primeiro serviço do País especialmente voltado a crianças e adolescentes viciados em jogos e internet. "Abrimos as inscrições e em um mês 50 pessoas apareceram", conta o psiquiatra Gabriel Bronstein, coordenador do núcleo.

Das 50, dez foram diagnosticadas como dependentes, e estão fazendo sessões de terapia. Uma nova triagem deve ser feita no segundo semestre. Quem tiver ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção ou outra comorbidade receberá tratamento - em muitos casos há ligação entre a dependência e uma condição pré-existente.

Antes de conhecer o Mu, jogo com cavaleiros, feiticeiros e gladiadores, Derek não destoava de seus pares. Quando perceberam que a dedicação estava excessiva, os pais vetaram o computador. Ele revoltou - e começou a passar as tardes na lan houve. "Ele deixava de comprar merenda para ir a lan house, e emagreceu", conta o pai.

Derek não gosta mais dos fins de semana e feriados - é quando os pais ficam em casa e regulam a rotina. Ele não percebe o exagero. "Não acho muito tempo."

Lucas, de 15 anos, outro que passa oito horas conectado, e que também foi levado à Santa Casa, pensa como ele. "O jogo não me prejudica em nada." O menino resistiu a ser levado ao psiquiatra. "Isso é para quem tem parafuso a menos." O que fascina Lucas são os jogos de combate. A mãe, a enfermeira Patrícia, se preocupa com o fato de ele deixar de se relacionar com o mundo real. "Ele está isolado."

Na Santa Casa, Derek e Lucas responderam a questões sobre o desejo de estar conectado, a irritação quando alguém lhe perturba durante o jogo e o vazio que sente sem o computador.

Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, crianças não têm maturação cerebral para lidar com alguns estímulos. "O córtex pré-frontal não está plenamente desenvolvido nas crianças, então elas têm dificuldade em conter os impulsos", diz. Há quatro anos ele acompanha jovens e adultos viciados em internet no serviço coordenado pelo Instituto de Psiquiatria da USP. Há núcleos com atendimentos semelhantes na Unifesp e nas PUCs de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

SINAIS DE ALERTA

Comportamento

Falta de interesse em atividades fora do mundo digital, mentiras constantes para a família para encobrir envolvimento com as atividades online, faltas à escola e a outros compromissos, irritabilidade e ansiedade por não usar o computador, falta de
interesse por passeios e festas com amigos, problemas no relacionamento social

Problemas físicos
Taquicardia durante o dia, obesidade ou subnutrição devido à má alimentação dentro da lan house, sono constante na aula, baixo rendimento escolar ou no trabalho, comprometimento na postura, lesões por esforços repetitivos (conhecida como LER), esforço na visão por conta da luz do monitor





O Estado de S. Paulo
, Vida &, 10/5/2010

* Bebê que mama no peito controla melhor o apetite

Crianças que mamam só no peito nos primeiros meses controlam mais o apetite após o desmame do que as que tomam mamadeira, diz estudo americano com 1.250 bebês.

Dos que só mamaram no peito, apenas 27% tomavam toda a mamadeira do 6º ao 12º mês. Dos alimentados com mamadeira, 68% bebiam tudo.

Segundo os médicos, a diferença é causada pelo uso da mamadeira: leite materno ou leite preparado servidos no bico têm o mesmo resultado.

Para o líder da pesquisa, os pais estimulam os filhos a terminarem a mamadeira, por isso eles comem mais. No peito, o bebê controla a quantidade.

Folha de S. Paulo, Saúde, 11/5/2010

Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.


Existe uma bela historia de um rapaz chamado Daniel, que após ter sido seqüestrado e levado para outro pais, longe de sua terra e cultura. Teve que se habituar à alimentação de sua nova terra, ou seja, a comida que o Rei comia ele e seus amigos também deveriam comer. Mas Daniel teve uma grande idéia: “não irei me alimentar durante dez dias, dê-nos somente legumes para comer e água para beber (Daniel 1.12).
Bem pense comigo ele deixou todas aqueles pratos fartos de gorduras e muitas calorias. Mas ele se propôs a se alimentar com alimentos ricos de vitaminas e sais minerais.
Não estou afirmando que não devemos comer as comidas que o Rei comeu, mas você quantas vezes ao dia  tem substituído estes produtos industrializados por alimentos saudáveis que Daniel comeu (legumes, verduras ou frutas) e quantos litros de água tem ingerido ao dia?
Existe uma pirâmide dos alimentos que indica quantas vezes ao dia devemos  ingerir  cada alimento, (Site) e afirma que devemos durante o dia comer no mínimo entre 3 a 5 porções de verduras ou legumes e 3 porções de frutas. Qual tem sido teu mínimo?
Se cada individuo se alimentar de mais produtos naturais, menos ri scos de doenças crônicas degenerativas( Pressão Alta, Diabetes, Colesterol, Câncer, etc) ele pode  vir ter. E quanto mais ingerirmos água ou suco natural temos menos risco de termos intestino preso ou até algo pior como um câncer de intestino.
Então vamos tentar a cada dia trocar nossos biscoitos recheados ou qualquer outro produto industrializados pelos naturais, mesmo porque Deus viu que era Bom... [:)]

Pense nisso: Deus criou todas as coisas e viu que era bom1 (Gêneses 1.31)

Elaine Bastos


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Eu quero fritura, Jamie Oliver!

Em seu novo reality show, o chef best-seller tenta catequizar as crianças, as escolas e os pais da cidade mais obesa dos Estados Unidos. Está difícil.

Food revolution, a revolução da comida. Numa campanha com esse título pretensioso, o jovem chef de cozinha britânico Jamie Oliver desembarcou nos Estados Unidos com a missão de combater um inimigo poderoso: o padrão alimentar rico em gordura e açúcar, responsável pela epidemia de obesidade no país. O campo de batalha escolhido foram escolas de ensino fundamental e médio de Huntington, no Estado de Virgínia Ocidental – a cidade mais obesa do Estado mais obeso do país mais obeso do mundo. Ali, Jamie produziu um reality show de seis episódios, baseado em sua tentativa de mudar a mentalidade de uma cidade inteira às voltas com a dificuldade de emagrecer.

Diante da arma mais poderosa de Jamie, a câmera, o inimigo foi apresentado ao espectador: um sistema de alimentação escolar que serve às crianças quantidades extraordinárias de comida processada, incluindo pizza com queijo pela manhã e uma bebida láctea com teor de açúcar mais alto que dos refrigerantes. Jamie, o herói, finalmente tinha chegado para salvar as criancinhas do perigo. Munido de facas e garfos, instrumentos com que as crianças de até 10 anos não tinham nenhum contato nas refeições escolares, o chef revolucionário parecia preparado para enfrentar todo tipo de resistência. Para vencer sua guerra, bastaria ensinar as merendeiras a cozinhar do zero, a partir de ingredientes frescos no lugar dos processados. Logo todo mundo se convenceria de que sua gastronomia saudável é muito melhor do que aquela porcaria que eles costumavam servir. O que torna a série interessante é que a realidade não se conformou a essa visão heroica.

Logo no primeiro episódio de Food revolution, transmitido em 26 de março pelo canal ABC (no Brasil, o programa será exibido pelo GNT, a partir de agosto), Jamie descobre que seu inimigo é mais forte do que imaginava. As recomendações do Departamento de Agricultura americano, que rege o cardápio nas cozinhas escolares, o obrigam a incluir pão na bandeja todos os dias – mesmo se for servir arroz, que é outra fonte de carboidrato. Um radialista local usa a rádio para criticar a prepotência de Jamie, o forasteiro. As merendeiras resistem às mudanças propostas por causa do custo maior e da trabalheira que dá cozinhar do zero. Ao final do episódio, Jamie, entre lágrimas, chora sua decepção diante da câmera: “Eles não sabem o que eu fiz nos últimos dez anos. Não entendem que estou aqui porque me importo. Quando faço coisas que parecem certas, mágica acontece”.

Na Inglaterra, as crianças alimentadas com a comida de Jamie tiveram melhor desempenho escolar
Por “mágica”, Jamie se refere à mudança em cidades da Inglaterra onde ele sugeriu a mesma reforma nos cardápios escolares. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Social da Universidade de Essex mostrou que os alunos de 11 anos alimentados com a comida de Jamie por pelo menos um ano tiveram melhor desempenho em ciências e inglês, e as faltas por problemas de saúde diminuíram em 15%. Lá, Jamie demonstrou que as refeições antes servidas às crianças tinham menos da metade da dose diária de ferro de uma dieta saudável – e o ferro ajuda a melhorar a concentração.

Tanto lá como nos Estados Unidos, o maior desafio de Jamie é agradar ao paladar infantil. A primeira refeição que Jamie fez para os alunos do jardim de infância de Huntington, sob o olhar descrente da merendeira-chefe, foi parar no lixo. As crianças, acostumadas ao sabor da comida processada, rejeitaram os vegetais frescos e os feijões preparados pelo chef famoso. Numa cena surpreendente do programa, Jamie reúne um grupo de oito pimpolhos na escola de cozinha que montou na cidade e faz com eles um experimento. Desmembra um frango na frente deles, afasta as partes nobres (peito, coxas, asas) e põe a carcaça num processador de alimentos. As crianças fazem cara de nojo enquanto assistem ao processo todo. À pasta cor-de-rosa Jamie acrescenta aditivos em pó e explica que eles servem para dar sabor e melhorar o aspecto do produto final, exatamente como faz a indústria. As crianças continuam enojadas. Jamie corta a mistura em pedaços redondos e põe para fritar. E então pergunta à turminha quem é que ainda comeria a gororoba com aspecto de nuggets. Todas levantam a mão.

Diferentemente de outros heróis, Jamie não tem exatamente o perfil de um revolucionário. Loirinho de olhos azuis, pele branca com sardas e maçãs do rosto rosadas, o britânico de 34 anos não saiu de sua casa na Inglaterra e largou mulher e três filhos para trás para correr perigo na América. Longe de parecer ameaçador, Jamie usa artifícios pacíficos para conseguir o que quer. Primeiro, mostra que tem talento. O chef já faz sucesso internacional há uma década ensinando ao mundo que cozinhar é rápido, prazeroso, fácil e saudável. Segundo, ele não vem sozinho. Além de uma equipe de produção competente, Jamie conta com o apoio de outros ativistas que já trilharam um caminho anterior na briga contra a hegemonia do fast-food e seus efeitos na saúde. E, por fim, Jamie é um fofo. Tanto ao falar com a câmera como quando conversa com gente de qualquer idade ou origem, ele é empático e cativante. Demonstra emoções o tempo todo, chora, admite insegurança. Parece até natural concordar com ele.

Passo a passo, sem perder a paciência nem se indispor com ninguém, Jamie vai ganhando seguidores até formar um exército de gordos e magros disposto a se unir contra a obesidade. Ganha o apoio do radialista rabugento, conquista o interesse de adolescentes problemáticos e até arrecada dinheiro para bancar a revolução nas cozinhas escolares de todo o Estado. Aparentemente, não resta um inimigo forte o bastante para derrotá-lo. A não ser, talvez, o setor de compras responsável pelo fornecimento da comida a todas as 26 escolas de Huntington, que já havia encomendado mais um carregamento de junk food para o próximo ano.

Revista Época, Sociedade, 3/5/2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Estudo aponta Noruega como o melhor país para ser mãe

A Noruega é o melhor país do mundo para ser mãe. A conclusão partiu de um índice anual publicado pela ONG Save the Children. Segundo informações do El País, o estudo utiliza indicadores de saúde, educação e condições econômicas para compor o ranking. O Afeganistão foi apontado como o pior país para dar à luz.
Enquanto uma mãe norueguesa tem uma boa chance de viver até os 83 anos e dificilmente verá seu filho morto antes do 5 anos, a mãe afegã tem expectativa de vida de 44 anos e provavelmente perderá um filho antes dos 5 anos por alguma enfermidade facilmente evitável.
Depois da Noruega, Austrália, Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Países Baixos, Bélgica e Alemanha encabeçam a lista deste ano. Entre os países desenvolvidos, chama a atenção o posto dos Estados Unidos, em 28º lugar. O risco de mortalidade materna (uma em cada 4,8 mil) e mortalidade dos filhos (oito em cada mil nascidos vivos) antes dos 5 anos está entre os mais altos dos países desenvolvidos.
A perspectiva é sombria para os países em desenvolvimento. Segundo o estudo, nos dez últimos colocados do ranking, uma em cada 23 mulheres morrerá por causas relacionadas à gravidez. Uma em cada seis crianças morrerá antes dos 5 anos e uma em cada três sofrerá desnutrição.
Redação Terra

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Brinquedo ou batata frita? Lei na California proíbe brindes em lanches altamente calóricos

Uma lei proposta por políticos da Califórnia está banindo os brinquedos que acompanham os lanches direcionados às crianças, como o McLanche Feliz. Pelo menos nos altamente calóricos – segundo as orientaçoes, a refeiçao precisa ter menos de 485 calorias para vir com um brinde. Já que os bonecos e afins acabam incentivando uma alimentaçao nao saudável, a escolha agora fica entre a batata frita ou o brinquedo. Quem optar por refeiçoes que incluem frutas, frango e outros alimentos com menos calorias pode levar o brinde pra casa. A nova lei, por enquanto, é válida apenas para 1 regiao do estado norte-americano. Notícia do AdAge.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Crianças gordas já têm risco maior de doenças cardíacas


Pesquisa constatou sinais precoces de inflamação associada a aterosclerose
Resultados do estudo, feito com grupo entre 1 e 17 anos, preocupam especialistas e reforçam importância do controle de peso na infância

Crianças obesas ou com sobrepeso já apresentam sinais de inflamação que estão associados a um maior risco de doença cardíaca em adultos.
A conclusão é de um estudo que avaliou 16.335 crianças entre um e 17 anos. As que estavam obesas apresentavam níveis altos da proteína C-reativa (PCR), marcador que se eleva em processos inflamatórios e infecciosos. Os resultados foram publicados na "Pediatrics".
Nos adultos, níveis elevados dessa proteína indicam um maior risco de desenvolvimento de aterosclerose (formação de placas de gordura que leva ao entupimento das artérias).
Encontrar esse marcador aumentado em crianças, em uma fase tão precoce, é um fator que preocupa os especialistas ouvidos pela Folha. A PCR elevada aumenta o risco de um infarto precoce, por exemplo.
No estudo, 42% das crianças entre três e cinco anos que eram obesas tinham níveis elevados de PCR, em comparação com 17% daquelas que tinham o peso normal. Essas diferenças eram ainda maiores entre as crianças mais velhas: 83% das muito obesas (dos 15 aos 17 anos) apresentaram níveis elevados do marcador.
"A PCR é um dos marcadores de presença de inflamação crônica mais validados. Ela pode aparecer em outras inflamações momentâneas [como uma inflamação dos dentes], mas é um marcador razoável", afirma a cardiologista pediátrica Isabela de Carlos Giuliano, professora-adjunta do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina.

Outros trabalhos
Em trabalho semelhante feito em Florianópolis, com 1.009 crianças entre sete e 18 anos, a professora Giuliano descobriu que 25% delas estavam acima do peso e apresentavam níveis alterados da proteína.
Segundo ela, o ideal é manter os níveis de PRC abaixo de 1 mg/l. Índices acima de 1 mg/l apontam risco moderado e acima de 3 mg/l indicam risco alto de problemas cardiovasculares.

Outro estudo brasileiro, feito pela Universidade Federal da Bahia, mediu a dosagem de PCR em 500 adolescentes entre 11 e 17 anos -em torno de 30% dos que estavam obesos tinham a PCR elevada. O trabalho, feito pela cardiologista pediátrica Isabel Cristina Britto Guimarães, é mais um que reforça a importância do controle de peso ainda na infância.

"Não vamos sair medindo PCR indiscriminadamente como maneira de prevenção, mas a PCR é mais um marcador importante", diz Guimarães.

O Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo usa a PCR como marcador para acompanhar o tratamento de reeducação alimentar de crianças gordas.

A parte boa nisso tudo é que é possível diminuir os níveis de PCR se a inflamação for descoberta cedo. Para isso, basta aliar a prática de atividades físicas com uma dieta balanceada.

"Nessa faixa etária, o problema ainda é reversível. Mas é preciso participação efetiva dos pais, porque uma criança não perde peso se os pais forem gordos", diz Ary Lopes Cardoso, nutrólogo e chefe da Unidade de Nutrologia do instituto.


Folha de S. Paulo,
Saúde, 22/4/2010

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