Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Do quintal de casa à cidade vertical

Pertenço à última geração que, nas grandes cidades, morava em casa com quintal, um pedacinho do Jardim do Éden. Seu desaparecimento equivale à expulsão de Adão e Eva do Paraíso. Sem quintal a infância já não é a mesma.



O quintal era o espaço ecológico da casa. Criança, nele eu identificava um misto de minifloresta e parque de diversões. Subia em goiabeira e mangueira, brincava no chão de terra, promovia com os amigos corridas de minhocas e caramujos, colhia verduras da horta, andava descalço, bancava o Tarzan, tomava banho de torneira, construía rios, diques e represas nas poças deixadas pela chuva.



Agora, o mundo encolheu. A especulação imobiliária suprime quintais, as famílias vivem encaixotadas em apartamentos decorados com flores artificiais. Poucas crianças veem ovo de galinha abrir-se para deixar sair o pinto, cadela dar à luz, tartaruga arrastar-se pesada entre os arbustos do canteiro, restos de alimentos serem aproveitados como adubo.



O quintal era o espaço de brincadeiras. Ali nossa fantasia infantil desdobrava-se em cabanas no alto das árvores, gangorra dependurada no galho, minipiscina improvisada na velha caixa d’água. Dali empinávamos pipas e ali brincávamos de amarelinha, bolinha de gude, bentialtas (embrião do futsal, com dois jogadores de cada lado na disputa por um bola de meia).



Nós mesmos construíamos os brinquedos. De consumo, apenas ferramentas, pregos, papel, tesoura e cola. O resto provinha de nossa criativa imaginação e capacidade de improviso.



Brincar não é próprio apenas da criança, é próprio da espécie animal. Golfinhos, baleias, macacos, cães e gatos adoram brincar. Adultos brincam ao escolher vestuário, decorar a casa, dançar e participar de jogos. A dimensão lúdica da vida é imprescindível à nossa saúde física, psíquica e espiritual.



Violenta-se uma criança ao impedi-la de brincar. Refém da TV ou da internet, ela transfere seu potencial de fantasia para os desenhos que assiste. Como se a TV e a internet tivessem a incumbência de sonhar por ela. Reprimida em sua imaginação, tal criança se torna, na adolescência, vulnerável às drogas. Por não usufruir da fantasia na idade adequada, passa a buscar o universo onírico através de substâncias químicas.



Todo viciado em drogas sofreu uma infância sonegada -pela parafernália eletrônica, violência ou carência- e teme se tornar adulto, inseguro frente ao imperativo de adequar sua existência à realidade.



Hoje, brinquedos eletrônicos, videogames e o uso abusivo da internet privam crianças de uma infância saudável. Isoladas, não aprendem as regras da boa sociabilidade. Induzidas ao consumismo tornam-se ambiciosas, competitivas, invejosas. Enfrentam dificuldade em construir com as informações recebidas e os conhecimentos adquiridos uma síntese cognitiva.



Assim, não percebem a vida imbuída de sentido calcado em valores infinitos. Seu universo se atém a valores finitos, palpáveis, de exacerbação do ego, como beleza, riqueza e fama. Qualquer pequeno empecilho nessa direção causa enorme frustração. Tornam-se fortes candidatas ao consumo de antidepressivos.



O governo deveria incluir no plano diretor das cidades a obrigatoriedade de quintais em prédios residenciais. Talvez um dia se possa erguer edifícios de quinhentos andares, uma cidade vertical com tudo dentro: moradias, escolas, igrejas, supermercados, lojas, quadras de esportes, consultórios, serviços públicos e até crematórios. Ali trafegaria um único veículo, o elevador. Ao sair do prédio, os moradores entrariam em contato com a natureza em estado quase selvagem (observável de janelas e varandas), com direito a respirar ar puro e nadar e pescar em lagos e rios cristalinos.



* Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fraldas, chupetas e frustrações

Pais são mais insatisfeitos do que as pessoas que não têm filhos, mostram estudos

O uso de drogas ansiolíticas, a psicoterapia e os fins de semana inteiros passados na cama não estavam nos planos de alguns casais, quando decidiram ter filhos.


Nenhum conflito com as crianças: o problema são as atuais demandas da paternidade e da maternidade.

"É bom, mas exaustivo. Depois do nascimento, na volta ao trabalho, engordei cinco quilos de ansiedade. Hoje, durmo tarde para ajudar minha filha na lição. Quando o alarme toca às 6h, quero chorar", diz a secretária Michele de Luna, 32, mãe de Maria Clara, 8.

"Eu me justifico o tempo todo, falo para ela que preciso trabalhar. Nos fins de semana, quero fazer de tudo com ela, para compensar a semana. É culpa demais."


A constatação dos acadêmicos é ainda mais dura. Os estudos feitos nos EUA e na Europa nos últimos anos mostram que, em relação aos que não têm filhos, os pais demonstram níveis mais baixos de bem-estar mental, felicidade, satisfação com a vida e com o casamento.


Um último trabalho, publicado em 2009 no "Journal of Happiness Studies", até tentou contrariar os resultados das pesquisas anteriores.


Depois de analisar dados de 15 mil britânicos por uma década, um economista escocês atestou que pessoas com filhos eram mais felizes.


Mas a euforia durou pouco: em março deste ano, o autor publicou uma errata. Ao rever os números, viu que "o efeito de ter filhos na satisfação das pessoas é frequentemente negativo".


"Há uma sensação de perda, de não estar dando o que poderia. E uma cobrança grande. Qualquer distúrbio de comportamento é visto como culpa da criação dada pelos pais", analisa a cientista social Maria Coleta Oliveira, professora da Unicamp.


No Reino Unido, a Universidade de Kent centraliza uma rede de pesquisadores de todo o mundo que se dedicam a entender as peculiaridades do que chamam de nova cultura parental.


"Ser pai ou mãe passou a ser considerada uma atividade ou habilidade, e não uma forma de relacionamento, e é retratada como algo inacreditavelmente difícil", explica à Folha Jan Macvarish, pesquisadora da universidade.


Com tanta pressão, fica difícil educar um filho sem se sentir mal e aquém das expectativas próprias e alheias.

O excesso de informações sobre como criar a prole gera a impressão de que uma boa educação deve ser guiada por um especialista.

O LADO DELES


A mãe já está acostumada a carregar o mundo dos filhos nas costas. Mas o papel do homem na educação ganhou destaque nos últimos tempos, abrindo espaço para mais culpa e frustrações.


"Fala-se muito do novo pai. Há cobrança para que ele esteja mais presente. Mas que chefe entende o executivo não ir à reunião para levar o filho ao pediatra?", indaga Maria Coleta de Oliveira.


O publicitário Carlos Munis, 31, viveu esse drama nos primeiros anos de Igor, 10. O excesso de pitacos da família e dos amigos o deixou "bloqueado". Ter se separado da mulher também contribuiu para o afastamento.

"Eu não sabia como dar banho, fazer dormir, dar comida sem me estressar. Minha autoestima foi lá pra baixo. É muita gente falando,você se sente incapaz."

Com o tempo, Carlos aprendeu a assumir a paternidade. "Passei a participar mais. Pai sempre se sente frustrado. Mas, hoje, faço do meu jeito e, se erro, erro por algo que achei que era certo."


Para Macverish, os homens se tornaram "alvo" de campanhas sobre criação dos filhos, o que gera tensões entre o casal. "Em vez de negociar apenas o ponto de vista dos dois sobre os filhos, pai e mãe estão incorporando mais conselhos externos."


O psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, que pesquisou futuros pais, constatou a insegurança em relação às novas competências paternas. "É muita pressão. Eles internalizam a cobrança da sociedade."


Pesquisas feitas no Brasil mostram que apenas um terço dos pais encontram o equilíbrio entre dar afeto e limites. Outro terço é considerado negligente, 15% são autoritários e 15%, permissivos.


"Pensa-se pouco sobre como ter e em ter filhos. As pessoas acham que sabem como fazer, por causa do excesso de informações", diz a psicóloga Lídia Weber, da Universidade Federal do Paraná.

Mesmo com filhos bem planejados, a situação pode parecer fora do controle.

A analista de negócios Andreza de Campos Vieira, 29, decidiu buscar ajuda de um terapeuta para minimizar a culpa que sente ao se desdobrar entre a rotina e os cuidados com Manuela, de um ano e cinco meses.


"Nunca achei que iria sofrer desse jeito sendo mãe. Mas já tive urticárias, dores de cabeça. Me cobro demais para fazer coisas que não consigo."


COISINHAS


A autônoma Amanda Paradela, 34, mãe de Igor,10, e de Kaian, 5, já dormiu fins de semana inteiros para descansar. "Mesmo nessa exaustão, me culpo. Se um fica doente, é porque não estou, e a babá não cuida direito. Você está no seu limite, mas cada coisinha parece um problemão."

Não é fácil se livrar da frustração. Mas tomar consciência de que ela existe é bom.


"O que deve estar em jogo é o afeto", diz a psicanalista Belinda Mandelbaum, coordenadora do laboratório de estudos da família, relações de gênero e sexualidade da USP. E alivia: "O importante é entender que não existe um modelo ideal. Existe o possível para cada um".



Folha de S. Paulo, Equilíbrio, 3/8/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0308201007.htm

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Geração conta-tudo



POSTE O QUE VOCÊ QUISER, MAS ENCARE AS CONSEQUÊNCIAS; NA INTERNET, NADA SOME

Os elefantes e a internet têm algo em comum: eles nunca esquecem.


Lucieny Moraes, 18, que o diga. Ao digitar o próprio nome no Google, a garota encontrou o fotolog que havia abandonado em 2006.


Ela não gostou da surpresa. "As fotos são velhas, e o jeito como eu escrevia era engraçado", diz. "Se alguém vir isso, vai ser uma desgraça!"


Como não se lembra da senha de acesso ao site, Lucieny não consegue apagar as fotos. E, mesmo que conseguisse, a informação ainda apareceria na busca do Google.


"As ferramentas da internet foram construídas para guardar toda informação que chega a elas", explica Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.


Mas, ao contrário da web, "a natureza humana é baseada no esquecimento", diz. "Não nos lembramos dos detalhes após um certo tempo."


Isso, é claro, sem a forcinha da internet. Ele cita o vídeo de Daniela Cicarelli na praia, que, mesmo depois de deletado, ainda circula na internet. "As pessoas baixam e "repostam'", explica.


É esse tipo de questão que a geração conta-tudo, que cresceu com acesso à rede, nem sempre tem em mente.


"Os "nativos digitais" não têm maturidade emocional para avaliar o que pode ser exposto ou não", diz a psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP.


Essa imaturidade pode ter consequências. A pesquisa "Norton Online Family Report" aponta, por exemplo, que 79% dos brasileiros de oito a 17 anos já tiveram experiências negativas on-line.

Segundo um estudo inédito da Safernet Brasil, os jovens divulgam na rede desde nome (57%) até celular (5%).

"Eles se assustam quando se dão conta da repercussão que a web pode ter", diz Rosa.


FORA DE CONTROLE

Em ferramentas como o Twitter, uma informação pode viajar rápido e longe.


Uma pesquisa feita pela equipe do site constatou que 50 milhões de "tweets" são publicados por dia: são 600 tuitadas por segundo.


E isso inclui os "RTs". Como os usuários repassam os "tweets", não adianta o autor tentar apagá-los mais tarde.


Daniela Adamek, 16, tuita quase 40 vezes por dia. Mas não teve problemas com o que compartilhou na rede.

"Eu penso muito antes de mostrar as coisas", afirma.

Saber o que dizer e o que guardar para si foi a fórmula que Gustavo Jreige, 21, seguiu nos sete anos em que manteve um blog pessoal.


Assim, o rapaz ganhou destaque e foi convidado para ser sócio de uma agência de publicidade voltada a mídias sociais. "A internet é uma representação do mundo real, e é cruel como ele."


VIDA SEM SENHA

O quanto compartilhar a vida na rede prejudicará os jovens depende de um futuro ainda incerto. Especialistas apostam no "perdão social": lá na frente, as pessoas vão relevar informações antigas que circulam na web.

Mas não é esse o cenário atual. "Vivemos em uma era sem capacidade para o arrependimento on-line", afirma Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em direito digital.

"Aos 40 anos, alguém pode ser julgado pelo que fez aos 16", completa Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil. "Pode ser que haja tolerância, mas é melhor se precaver."



Folha de S. Paulo
, Folhateen, 26/7/2010
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2607201009.htm

terça-feira, 27 de julho de 2010

O 1º filho é de vidro... 
O 2º é de borracha...
 O 3º é de ferro... 


ORDEM DE NASCIMENTO DAS CRIANÇAS:
1º Irmãos mais velhos têm um álbum de fotografia completo, um relato minucioso do dia que vieram ao mundo, fios de cabelo e dentes de leite guardados.
2º O segundo mal consegue achar fotos do primeiro aniversário
3º O terceiro não faz idéia das circunstâncias em que chegou à família.
O QUE VESTIR:
1º bebê - Você começa a usar roupas de grávidas assim que o exame dá positivo.
2º bebê - Você usa as roupas normais o máximo que puder.
3º bebê - As roupas para grávidas SÃO suas roupas normais.
PREPARAÇÃO PARA O NASCIMENTO:
1º bebê - Você faz exercícios de respiração religiosamente.
2º bebê - Você não se preocupa com os exercícios de respiração, afinal lembra que, na última vez eles não funcionaram.
3º bebê - Você pede para tomar a peridural no 8º mês.
O GUARDA-ROUPAS:
1º bebê - Você lava as roupas que ganha para o bebê, arruma de acordo com as cores e dobra delicadamente dentro da gaveta .
2º bebê - Você vê se as roupas estão limpas e só descartas aquelas com manchas escuras.
3º bebê - Meninos podem usar rosa, né???

AS PREOCUPAÇÕES:
1º bebê - Ao menor resmungo do bebê, você corre para pegá-lo no colo.
2º bebê - Você pega o bebê no colo quando seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho.
3º bebê - Você ensina o mais velho a dar corda no móbile do berço.

A CHUPETA:
1º bebê - Se a chupeta cair no chão, você guarda até que possa chegar em casa e fervê-la.
2º bebê - Se a chupeta cair no chão, você a lava com o suco do bebê.
3º bebê - Se a chupeta cair no chão , você limpa na camiseta e dá novamente ao bebê.

A TROCA DE FRALDAS:
1º bebê - Você troca as fraldas a cada hora, mesmo se elas estiverem limpas.
2º bebê - Você troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário.
3º bebê - Você tenta trocar a fralda antes que as outras crianças reclamem do mau cheiro.

O BANHO:
1º bebê - A água é filtrada e fervida e sua temperatura medida por termômetro.
2º bebê - A água é da torneira e a temperatura é fresquinha.
3º bebê - É enfiado diretamente embaixo do chuveiro na temperatura que vier.

AS ATIVIDADES:
1º bebê - Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês, teatro, contação de história...
2º bebê - Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês.
3º bebê - Você leva seu filho para o supermercado, padaria...

AS SAÍDAS:
1º bebê - A primeira vez que sai sem o seu filho, liga cinco vezes para casa para saber se ele está bem.
2° bebê - Quando você está abrindo a porta para sair, lembra de deixar o número de telefone de onde vai estar.
3º bebê - Você manda a babá ligar só se ver sangue.

EM CASA:
1º bebê - Você passa boa parte do dia só olhando para o bebê.
2º bebê - Você passa um tempo olhando as crianças só para ter certeza que o mais velho não está apertando, beliscando ou batendo no bebê.
3º bebê - Você passa um tempinho se escondendo das crianças.

ENGOLINDO MOEDAS:
1º bebê - Quando o primeiro filho engole uma moeda, você corre para o hospital e pede um raio-x.
2º bebê - Quando o segundo filho engole uma moeda, você fica de olho até ela sair.
3º bebê - Quando o terceiro filho engole uma moeda, você desconta da mesada dele

Autor desconhecido (dica do Dr Valentte)
 
Texto extraido de www.seligafamilia.com.br

sábado, 24 de julho de 2010

O comércio da Fé.



Como cristã que sou respeito a sã doutrina com o uso da inteligência.
Todavia, tenho me indignado com este gospel trash, travestida de avivamento com um marketing igrejeiro cuja raiz podre não é o marketing, tão pouco a igreja e sim o exercício de se vender algo que não é a verdade.
Meio de vida de vendilhões. Predadores do evangelho, impostores.
Tentativa desesperada de um satanás já derrotado na Cruz para esconder as verdadeiras Boas Novas.
Jesus peitou o sistema religioso de Sua época, mesmo sabendo o alto preço que teria que pagar por Seu atrevimento.
Hoje, se quisermos seguir os passos de Cristo, teremos que peitar uma verdadeira indústria religiosa, onde as pessoas são vistas, ora como produtos, ora como clientes, e ora como engrenagens.
Lobos travestidos de cordeiros.
.
Letícia Matos

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O tempo está acabando!

Uma das histórias mais impressionantes que eu encontro na Bíblia, é a história de Moisés, o grande libertador do povo de Israel. Cheia de tramas, suspense, não é a toa que já foi retratada em tantas superproduções.

Mas a história começa com um desafio tremendo!

Moisés nasce numa época na qual os meninos judeus nascidos eram assassinados, por decreto de Faraó. Sua mãe, tentando desesperadamente livrá-lo da morte, tenta escondê-lo, mas quando já não consegue mais fazê-lo, decide colocá-lo numa cesta, e soltá-lo no rio, na esperança que alguém o encontrasse, e o salvasse. E adivinhe quem acha o bebê? A filha de Faraó!

E agora eu pergunto: você acha que a filha do rei do Egito iria gastar seu tempo cuidando de uma criança? Claro que não! E então ela terceiriza o serviço, e deixa o seu “novo filho” nas mãos de ninguém menos do que a própria mãe.

E aí que vem o desafio: a mãe deveria educá-lo, e quando estivesse “grande”, o entregaria para a princesa.

O que fazer neste momento? Como agir nestes anos que estaria em contato com seu próprio filho, a fim de educá-lo dentro da vontade de Deus?

A mãe de Moisés provavelmente fez algumas decisões:

- trabalharia menos para passar a maior parte do tempo com seu filho;
- deixaria o hábito de assistir novelas ou jogos de futebol;
- faria menos visitas aos Shoppings do Egito;
- colocaria o filho em posição de prioridade na vida;
- seria o melhor modelo de uma pessoa equilibrada e temente ao Senhor.

Isso tudo valeria a pena, já que em poucos anos não teria mais a presença do seu filho em casa, e teria que aproveitar ao máximo o tempo disponível.

Que desafio, não?

Queridos pais, vocês devem estar pensando: “Ainda bem que vou ter meu filho para sempre...” - mas isso não é verdade. A atenção que seu filho dá a você diminui a cada dia, à medida que outras atrações começam a surgir em sua vida e ocupar a mente dele. O tempo que você tem para educá-lo dentro dos caminhos o Senhor é bastante curto e está diminuindo a cada dia.

Como você tem encarado este desafio? Acho que já está na hora de começar, e ser os melhores pais do mundo para o seu filho.

Em tempo, “a mulher sem juizo destrói seu lar com as próprias mãos”, mas “a mulher sábia o constrói” (Pv. 14.1).

Como é que está essa obra?


Ricardo Lebedenco - www.seligafamilia.com.br




 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O DESENHO DA MENINA

Os sonhos são desenhos que a imaginação faz. A imaginação é a maneira como a a gente tenta voltar para o paraíso que ficou perdido em algum lugar do passado. O paraíso é aquele lugar onde só existem coisas boas e gente feliz. O paraíso é o mundo perfeito.

Quando a gente começa a pensar no paraíso, a imaginação vai tão longe que começa a fazer rabiscos numa folha. Vai fazendo rabiscos, rabiscos e mais rabiscos, até que eles viram um desenho bem bonito. O nome desse desenho é sonho.

Para fazer um desenho chamado sonho a gente precisa de duas coisas. Ou melhor, tem que ter uma e não pode ter outra. A coisa que a gente tem que ter é imaginação, pois é a imaginação quem faz o desenho. As pessoas que não conseguem enxergar além das coisas que existem não conseguem fazer desenhos que se chamam sonhos: elas não tem imaginação. Mas não basta a gente ter imaginação. Além disso, a gente não pode ter vergonha, porque quando a imaginação começa a fazer o seu desenho chamado sonho os primeiros traços são só rabiscos.

Acho que é por isso que as crianças sonham mais. Elas não estão presas pelas coisas que já existem. Aliás, elas não sabem os limites do que existe, para elas as coisas existem sem fim, um montão de coisas, até lá longe. Ainda não disseram para elas que o mundo acaba. Para elas o mundo não acaba, pois elas têm a saudade do paraíso bem fresquinha na cabeça delas. Faz pouco tempo que elas acordaram do sono da barriga da mãe, e ainda conseguem se lembrar do paraíso. É por isso que a imaginação delas é desse tamanhão. Aos poucos, quando vão crescendo, os adultos vão dizendo para elas que isso pode e isso não pode, que isso é perigoso e aquilo é do mal, e então o mundo vai ficando cada vez menor e o paraíso cada vez mais longe. Aí a imaginação vai morrendo.

O mundo delas vai ficando do tamanho das coisas possíveis, bem pequenino, até que a imaginação já não faz mais desenhos que se chamam sonhos.

Ah, tem outra coisa. As crianças não têm vergonha dos seus rabiscos. São os adultos que têm. Os adultos ficam preocupados com o que os outros adultos vão pensar, e ficam comparando os rabiscos deles com os rabiscos de outros adultos, e aí, ou deixam de fazer rabiscos ou guardam os seus rabiscos bem guardadinhos.

Aos poucos, a imaginação vai perdendo a vontade de fazer os desenhos. A imaginação começa a acreditar que os desenhos são feios, ou então começa a achar que os desenhos vão ficar escondidos em uma gaveta e que nem adianta fazer desenhos, já que rabiscos coloridos que ficam brincando com elas na folha de papel, que nem uma bailarina que dança pra lá e pra cá. Acho que elas pensam que a bailarina que dança na folha de papel é de verdade. As crianças acreditam que seus rabiscos que são desenhos que se chamam sonhos são bonitos e são de verdade, acreditam neles e acham que um dia a vida vai ficar igual a eles. Até que chega um adulto e estraga tudo: guarda todos aqueles desenhos que se chamam sonhos, diz que eles não tem importância e que são coisas de crianças.

Acho que foi por isso que Jesus disse que o reino dos céus é das crianças. As crianças lembram tão bem do paraíso, que a imaginação delas faz um monte de desenhos que se chamam sonhos, e a vida delas parece mesmo o céu.

Agora é a sua vez de reagir.
Ed René Kivitz

Extraido de www.seligafamilia.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Falta olho no olho

Em vez de curtir a festa dos filhos, os pais preferem ficar registrando tudo para depois ver o filme

O relacionamento interpessoal anda difícil, e há muitas razões para isso.

Temos a obrigatoriedade de encontrar a felicidade, pensamos sempre em nós mesmos em primeiro lugar, consumimos e descartamos tudo com facilidade, competimos com quase todos.

Mas é principalmente o fato de vivermos em uma sociedade que aprecia o espetáculo que tem dificultado sobremaneira o relacionamento entre pais e filhos. Você esteve recentemente em alguma festa junina de escola, onde os alunos apresentaram danças? Participou de uma festa de aniversário de criança ou teve a oportunidade de ver pais e filhos em passeios?

Caso sim, certamente deve ter notado que, em geral, entre os olhos dos pais e os dos filhos há um obstáculo: uma câmera. Ela pode ser fotográfica, embutida no celular, de vídeo etc.. Mas está sempre presente.

Às vezes, não é uma câmera que se interpõe entre o encontro de olhares de pais e filhos, e sim um vídeo que não permite que a criança olhe para outra coisa.

Agora, virou moda entreter as crianças com aparelhos portáteis de DVD em todos os lugares.

Muitas famílias já têm esse aparelho até no carro. "Foi a melhor coisa que eu fiz, porque assim as crianças não brigam nem me atrapalham" me disse a mãe de duas crianças.

Outras não viajam sem ele na bolsa, para que esteja sempre pronto para ser sacado em momentos delicados.

Recentemente, em uma viagem aérea, sentei ao lado de um casal com um filho de menos de dois anos. Assim que se acomodaram, a criança começou a berrar e a se contorcer. De imediato, os pais abriram a mochila e de lá retiraram o tal aparelho com um DVD de animação.

Milagre! A criança se acalmou e assim ficou até terminarem o filme e a viagem. Nenhuma troca de palavras ou de olhar entre eles. Nas festas dos filhos, em vez de os pais curtirem a celebração, preferem ficar "registrando" tudo para que depois, em casa, possam assistir ao filme, de preferência com convidados.

Claro que o registro mostra parte da história da família e ajuda a reconstruir a memória pessoal e do grupo, o que é importante na vida.

O problema tem sido a substituição do relacionamento pelo registro porque, dessa maneira, abolimos a memória afetiva.

Vamos reconhecer que, para muitos pais, essa troca é extremamente confortável. É mais fácil acalmar a criança com um filme, é mais tranquilo não ter de enfrentar brigas dos filhos no carro e menos desgastante filmar a festa de aniversário do filho do que participar da mesma.

Só que, dessa maneira, as crianças deixam de aprender coisas importantes e seus pais deixam de exercer seu papel quando ele é mais necessário. Ensinar a criança a conviver é a função mais importantes da família e é isso o que significa socializar.

Saber se conter, se controlar e esperar, desenvolver estratégias frente às decepções e aos sofrimentos, aprender a se cuidar para estar com os outros e a se comportar em diferentes contextos: tudo isso e muito mais é um árduo e longo aprendizado, que deve começar assim que a criança nasce. E a base de todo o ensinamento é o vínculo entre pais e filhos.

É claro que a televisão, o computador, o aparelho de DVD, a câmera, o videogame e tudo o mais têm o seu papel na vida da criança.

Mas a relação entre pais e filhos, o olho no olho, os conflitos entre eles e o convívio entre eles são insubstituíveis.

*Rosely Sayão

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Muitos pais não tem esta paciência...

Famílias gastam mais do que ganham

40 milhões delas, 68,4% do total, chegam ao fim do mês sem fechar as contas; em 2003, era pior -85,3%

Deficit no orçamento acontece entre famílias com renda até R$ 2.490; 9,2% reclamam de dieta insuficiente no estudo

Quase 40 milhões de famílias brasileiras -68,4% do total- chegam ao final do mês sem fechar suas contas. Suas despesas mensais superam seus rendimentos, segundo a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 2008-2009.

Mas tal realidade estava presente em um universo ainda maior de famílias em 2002-2003: 85,3% do total.
Quando questionadas sobre sua percepção com relação ao orçamento familiar, 75,2% relataram ter dificuldade para chegar ao fim do mês com o seu orçamento.

O deficit no orçamento, segundo o IBGE, ocorre nas famílias com rendimento até R$ 2.490. Nas faixas de renda acima desse valor, há sobra no orçamento, destinada ao aumento da poupança e ao investimento em imóveis, por exemplo.

"Essas famílias certamente têm de recorrer ao endividamento para consumir e fazer frente a outras despesas. É uma tendência mundial nos domicílios de menor renda", afirma Sônia Rocha, economista do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).

EQUILÍBRIO

Para Marcia Quintslr, coordenadora do IBGE, os dados da POF mostram que "mais famílias estavam numa situação de equilíbrio orçamentário" em 2009 do que na pesquisa anterior, encerrada em 2003.

É que nesse intervalo, diz, cresceu o emprego e o rendimento, o que permitiu a um número maior de famílias equilibrar as suas contas.

Os dados da POF mostram que as despesas totais das famílias (com consumo, impostos, encargos e outras) cresceram menos no intervalo entre 2002-2003 e 2008-2009 (5,98%) do que o rendimento (11%) total oriundo do trabalho, de aposentadorias e outras fontes. Isso possibilitou folga de caixa para mais famílias.

Segundo o economista Marcelo Neri, da FGV, o rendimento total cresceu mais ainda se for levado em conta que o tamanho médio das famílias brasileiras caiu nesse intervalo de tempo: de 3,6 para 3,3 pessoas.

Desse modo, a renda familiar per capita, calcula, subiu 22% em termos reais e possibilitou a melhora na situação financeira de alguns domicílios.

INSUFICIENTE

Ao responder sobre sua percepção da quantidade de alimentos consumida, 35,5% das famílias avaliam que ela era, em algum nível, insuficiente.

Para 9,2% das famílias brasileiras, a quantidade de alimentos consumida era "normalmente insuficiente" em 2008-2009.


Folha de S. Paulo

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O sentimento de fazer parte

Pertencer a um grupo e contribuir com ele é muito importante para a evolução da criança

Em plena copa de futebol as crianças não pensam em outra coisa. Elas já fizeram álbuns e trocaram figurinhas de jogadores, já montaram seu próprio time como se fossem técnicos, contestaram algumas convocações, entraram em bolões e, agora, acompanham os jogos e completam suas tabelas. Em dia de jogo, elas se transformam. Ficam ansiosas até o início da partida, torcem, soltam palavrões, reclamam, discutem a escalação dos jogadores e a atuação do juiz e comemoram ou choram os resultados. Observar o envolvimento das crianças nessa competição é surpreendente, já que os argumentos que elas têm para defender suas opiniões quase sempre são colocados com propriedade, participam com alegria de tudo o que envolve a Copa e procuram estar sempre bem informados dos acontecimentos. As crianças foram contaminadas pelo entusiasmo geral dos adultos, a começar pelo dos próprios pais. Ninguém precisou falar mais de mil vezes para elas que tal acontecimento esportivo é importante e que, por isso, deveriam se interessar. E não foi preciso sentar com elas durante horas para que encontrassem as notícias que queriam. Por que será que isso acontece com as crianças nesse momento? Elas não nascem com interesse pelo futebol: aprendem isso. E, da mesma maneira, elas não se entregam a esse interesse apenas por prazer considerando que, muitas vezes, sofrem por causa dele. O que mobiliza a criança a entrar nesse clima certamente é o chamado sentimento de pertença. Fazer parte de um grupo, dar a ele sua contribuição possível, encontrar o seu lugar e nele ser reconhecido são elementos muito importantes para o desenvolvimento da criança. Entretanto, muitas famílias não se dão conta desse fato e pouco fazem para que os filhos, desde pequenos, percebam que pertencem àquele grupo. Na correria em que se transformou a vida nas cidades, as famílias têm poucas oportunidades para se reunir. Uma delas é no horário das refeições. Isso pode não acontecer todos os dias, mas, certamente, algumas vezes na semana a família, caso se esforce para isso, consegue se encontrar em torno da mesa. Não é nada incomum que os filhos, nessa hora, recusem a participar da refeição. Bons motivos eles sempre têm: é o jogo no videogame, é o encontro com a amiga, é a chamada urgente ao telefone etc. Eles não se dão conta da importância de sua presença nos encontros familiares. Muitos pais, para evitar conflitos e confrontos e, inclusive, para garantir seu próprio sossego na hora da refeição, não relutam em permitir que os filhos se ausentem, ou pouco se esforçam para trazê-los ao evento. Esses pais não têm ideia de que, quando agem dessa maneira, passam uma mensagem ao filho: a de que a presença dele na família é descartável, de que não tem importância alguma. Muitos desses pais acreditam que quando consentem que seus filhos não valorizem os encontros familiares fazem o bem para eles. Mas observar a participação das crianças no clima da Copa é o suficiente para perceber o quão importante é, para elas, fazer parte do grupo em que vivem. No início, é preciso insistir e até exigir a presença dos filhos, mesmo que isso os desagrade. Claro que essa exigência deve ser menor à medida que eles crescem, porque vão assumindo a própria vida. Mas, inclusive na vida adulta, a sensação de pertencer a uma panelinha familiar, mesmo à distância, é algo precioso, que ajuda a viver.

Rosely Sayão*
é psicóloga

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os adolescentes que merecemos

Você prefere sua filha errando de balada em balada ou velejando sozinha ao redor da Terra?

Abby Sunderland(na foto), nasceu na Califórnia, em outubro 1993. A família vivia num barco, ao longo da costa do Pacífico.

O irmão mais velho de Abby, Zac, aos 17 anos, tornou-se o mais jovem velejador a circum-navegar a Terra sozinho. O recorde de Zac não resistiu muito tempo: logo, Michael Perham, um adolescente inglês um ano mais jovem que Zac, completou sua volta solitária ao mundo. Note-se que Perham, aos 14 anos, já tinha atravessado o Atlântico sozinho.

Abby também, desde seus 13 anos, sonhava em circum-navegar a Terra. No começo deste ano, aos 16, sozinha, ela largou as amarras de seu veleiro de 12 metros e desceu o Pacífico Sul. Passou o Cabo Horn, atravessou o Atlântico e passou o Cabo de Boa Esperança, lançando-se no Oceano Índico. Entre a África e a Austrália, Abby encontrou uma tempestade à qual o mastro de seu barco não resistiu. No sábado passado, depois de dois dias à deriva num mar infernal, ela foi resgatada.

Pela internet afora e na imprensa dos EUA, os pais de Abby estão sendo criticados por um coro indignado: como vocês puderam deixar uma menina de 16 anos errar sozinha pelo mar e pelos portos? Fora tsunamis e tempestades, o que dizer dos meses insones espreitando o mar e o vento a cada meia hora, da solidão, do trabalho incessante, do frio, do desconforto de uma navegação solitária ao redor do mundo? E os piratas ao sul da Malásia? Por qual permissividade maluca vocês aceitaram que Abby se lançasse numa aventura que seria arriscada para gente grande?

Já a bordo do barco que a resgatou, Abby escreveu no seu blog: "Há uma quantidade de coisas que as pessoas podem estar a fim de culpar pela minha situação: minha idade, a época do ano e muito mais. A verdade é que passei por uma tempestade, e você não navega pelo Oceano Índico sem entrar em, no mínimo, uma tempestade. Não foi a época do ano, foi apenas uma tempestade do Oceano Sul. As tempestades fazem parte do pacote quando você veleja ao redor do mundo. No que concerne à idade, desde quando a mocidade do velejador cria ondas gigantescas?".

Se você duvida que Abby tivesse a maturidade necessária para sua empreitada, leia o diário da viagem (www.soloround.blogspot.com) -sobretudo as notas de Abby durante a interminável navegação no Atlântico Sul.

Os que censuram os pais de Abby afirmam que nunca autorizariam seus rebentos a velejar sozinhos ao redor do mundo porque, aos tais rebentos, falta seriedade e falta experiência. Eles devem ter razão -afinal, eles conhecem seus filhos. Mas cabe perguntar: essa falta de seriedade e experiência é efeito de quê? Da simples juventude? Duvido: La Pérouse, o navegador francês, aos 17 anos, em 1758, já estava combatendo os ingleses ao largo de Terra Nova. Então, efeito de quê?

Pois é, provavelmente, os mesmos pais que se indignam com a "irresponsabilidade" dos genitores de Abby permitem a seus filhos, mais jovens que Abby, de sair em baladas nas quais os únicos adultos são os que vendem drogas e bebidas.

Será que a volta para casa de madrugada, num carro dirigido por amigos exaustos, exaltados ou sonolentos, é menos perigosa do que a circum-navegação do mundo num veleiro pilotado por Abby, animada há anos por um desejo intenso e focado? E, de qualquer forma, qual das duas experiências você prefere para seus filhos?
O fato é que muitos pais preferem que os filhos errem como baratas tontas, de festinha em festinha. Por quê? Simples: assim, os filhos ficam infinitamente mais dependentes.

E os pais modernos, em regra, querem os filhos por perto; eles adoram que os filhos demonstrem que eles não são suficientemente maduros para sair pelo mundo e para correr os riscos que o desejo acarreta.

Não deveríamos nos perguntar qual é a loucura dos pais que empurraram Zac, Abby e Michael mar adentro, mas qual é a loucura dos pais que preferem largar seus filhos nas noites, em que vodca, cerveja, maconha, ecstasy e papo furado servem para convencer os próprios adolescentes de que ainda não começaram a viver e, portanto, vão precisar dos adultos por muito tempo.

Comentando a aventura de Abby, um pai me disse: "Nunca deixaria minha filha navegar sozinha, eu não quero perdê-la". Pois é, "não quero perdê-la" em que sentido?

ccalligari@uol.com.br
Folha de S. Paulo, Ilustrada, 17/6/2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pesquisa indica que maioria dos jovens entre 10 e 14 anos já usaram pulseirinhas do sexo

Cerca de 90% de garotas com idades entre 10 e 14 anos ouvidas em pesquisa em São Paulo disseram já ter usado o acessório conhecido como pulseirinha do sexo. O estudo, realizado pela Secretaria de Estado da Saúde na Casa do Adolescente de Heliópolis, na zona sul, indica ainda que mais de 60% dos adolescentes diz desconhecer o significado das pulseiras. 
Já entre os garotos da mesma faixa etária, quase 55% afirmaram já ter usado os acessórios. Ao todo, foram ouvidos 174 adolescentes e jovens entre 10 e 24 anos entre os meses de abril e maio deste ano.
De acordo com a médica Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da secretaria, o fato de muitos adolescentes usarem as pulseiras corresponde à necessidade de autoafirmação e de ser aceito no grupo.
Já na faixa etária de 15 a 19 anos, 38% das meninas afirmaram já ter usado as pulseirinhas, enquanto apenas 8,5% dos meninos admitiram o uso.
Do total, apenas 5,7% nunca tinham ouvido falar das pulseiras. Além disso, 89% dos entrevistados que afirmaram já terem utilizado as pulseiras informaram que deixaram de usá-las.
As pulseiras surgiram na Inglaterra e, recentemente, viraram mania no Brasil. O enfeite também é usado em um "jogo". Quem arrebenta o acessório recebe uma retribuição sexual da dona da pulseira. Se ela for roxa, vale beijo de língua; a preta, sexo. 
FERNANDA PEREIRA NEVES - folha.com

sexta-feira, 4 de junho de 2010

“Será que a televisão emburrece as crianças?”

Estudiosos canadenses dizem que sim. Eles acompanharam 1.314 crianças nascidas em Quebec, em 1997 e 1998, ”com idades entre 2 anos 6m e 4 anos 6m, até chegarem aos 10 anos”, segundo a reportagem do The Independent, informando que tal pesquisa foi “publicada na última segunda-feira, no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine”. O referido estudo foi acompanhado por profissionais de TV e por professores, tendo sido considerado como dado relevante o número de horas semanais diante da TV. No caso, em média, as crianças menores viram 8,8 horas e os maiores, 15horas semanais, por semana. A partir disso, os canadenses concluiram que as crianças menores, que passaram mais tempo diante da TV, “tornaram-se piores em matemática, comiam mais junk food e estavam mais suscetíveis a bullying de outras crianças”.

Para ser feita uma reflexão consequente desta pesquisa, seria necessário conhecer o estudo em questão na sua integralidade, pelo menos para tornar possível conhecer como se identificou, por exemplo, a existência de uma maior ou menor suscetibilidade a situações envolvendo bullying, quando com outras crianças.

Como professora e pesquisadora na área da Infância da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, eu me pergunto, ainda, como os pesquisadores concluíram que as crianças “tornaram-se piores em matemática” sem que tenha sido utilizado um determinado “a priori“, genérico, que tenha servido como um parâmetro regular para todas as suas crianças da devida faixa etária. Ou seja, salvo algum erro de versão para o português, a expressão “tornar-se pior” só tem significação relevante se empregada diante de um parâmetro pré-estabelecido do que seja o esperado, o melhor.
Esta valoração, por sua vez, devido à inexistência de um contexto para tais (implícitos ou discutíveis) parâmetros, parece-me bastante questionável.

Uma outra questão que precisaria ser respondida se refere às condições de recepção dessas crianças. O número de horas diante da TV, a meu ver, não pode ser analisado isoladamente sem que estes sejam cruzados com outros elementos igualmente importantes. Entre eles, questiona-se: com quem as crianças vêem TV, sozinhas ou acompanhadas? Se há companhias, são adultos, são crianças, ou ambos? A que programas assistem? Quem escolhe o que eles vêem? Qual é horário em que assistem? Etc.

Não são poucos os estudiosos que se debruçam sobre o “fenômeno da televisão”, também sobre a importância do que Orozco chama de “múltiplas mediações” para agrupar elementos que impactam a relação entre as pessoas, também as crianças, e o que vêem na televisão. Outros estudiosos como Barbeiro, Canclini, Roger Silverstone etc. não analisam a TV fora desta relação inquietante e instável, nem sempre pacifica, dialógica e de mão dupla que exige situar a televisão em cenários demarcados de vida, nos tempos, espaços e culturas de que se insere. Neste viés, o que a TV pode vir a fazer com cada pessoa é o resultado não de uma, mas de infinitas variáveis que, inegavelmente, se relacionam ainda diretamente ao modo com que cada um se “envolve ou significa sua vida” com a televisão (de forma que esteja cada um em seu tempo, no seu grupo, em sua cultura). Que lugar, menos geográfico e mais sociocultural, a televisão ocupa na vida de cada crianca e de sua família, nesta e em tantas outras pesquisas concluidas e/ou ainda em andamento?

Pode-se dizer que a população infantil brasileira, bem como a da América Latina tenham alta peferência pelos audiovisuais e que, por isso, ocupem grande parte do seus dias diante da televisão.

Como profissional desta área, afirmo sem medo que as crianças não são – nem nunca foram – receptores passivos do que é veiculado na televisão e a esta última não cabe mais a adjetivação apenas de boa ou má para a infância. Também não parece haver dúvidas de que, hoje, seja por meio (principalmente) da TV que as crianças e os adultos tomem parte e interatuem nos dilemas culturais do seu tempo; e que, por meio dela, sejam chamados a refletir sobre a vida nas cidades, sobre os arranjos familiares atuais e, ainda, sobre o destempero alimentado por critérios econômicos e comercias que valorizam o ter em detrimento do ser.

Ainda que seja difícil reunir argumentos para afirmar que a televisão seja nociva e que, portanto, possa fazer mal para as crianças com até 3 anos de vida, não é difícil sustentar que não exista qualquer indicação para que isto aconteça, nesta fase. Não creio que ela chegue a “fazer mal”, mas a considero inadequada para crianças bem pequenas que precisam ter alimentada a vontade de se expandir, de agir. A meu ver, tudo o que pode ser interessante para suas vidas não depende nem acontece na/nem diante da televisão, mas está relacionado à sua ação exploratória sobre o mundo, junto com outras crianças, quando deverão ser estimuladas a mexer, correr, pular, cantar, dançar, descobrir, ouvir histórias encantadas e muito mais.

Um pouco mais tarde, dos 4 ou 5 anos em diante, a TV pode lhes oferecer alguma programação que agrade, como certos desenhos animados, programas infantis em que se contam histórias etc., mas é inegável a baixa qualidade e a oferta restrita de programação destinada à criançada brasileira em sua rica diversidade.
Mesmo assim, devemos usar apenas de bom senso para afirmar que tudo em exagero não seja bom para ninguém, nem para as crianças. Há um rol de elementos simples, adoráveis e indispensáveis a uma infância feliz. Ler livros de literatura infantil e/ou ouvir suas histórias são práticas totalmente recomendadas para as crianças.

Brincar de bonecas e de bolas com amigos é igualmente recomendável, sobretudo ao ar livre, em segurança e com liberdade. Alimentar-se em quantidade adequada e de alimentos saudáveis é esplêndido. Poder dormir quando se tem sono é recuperador. Ver televisão pode ser uma diversão bem legal. No entanto, se uma criança dormir o dia todo, comer sem parar, ler seguidamente, só brincar na rua e/ou ficar vendo televisão continuadamente... que seja acesa uma luz amarela bem grande! Algo de muito errado está acontecendo e os adultos precisam agir com firmeza e precisão.

Na busca de uma infância integral e feliz, mesmo que muito ainda precise ser conquistado, vale conhecer e ter acesso às pesquisas da área, mas vale, também, uma boa dose de equilíbrio em que os termos “tudo e nada”, “sempre e nunca” não façam parte da defesa de crianças que têm direitos iguais, que passam por fases semelhantes no caminho para a vida adulta, do ponto de vista da formação humana, mas que são muito diferentes entre si.

Critérios generalistas e que tomam as crianças como se fossem todas iguais não atendem ao Estatuto de Criança com que trabalhamos, não respeitam suas identidades individuais e coletivas, além de não se coadunarem com o mundo em permanente processo de transformação. 

Maria Inês Delorme

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tecnologia parece alterar caráter de amizades juvenis

Antigamente, as crianças conversavam fisicamente com seus amigos. Aquelas horas passadas no telefone da família ou na companhia de amigos do bairro desapareceram muito tempo atrás. Hoje, porém, até mesmo trocar ideias por celular ou e-mail está ultrapassado. Para os adolescentes e pré-adolescentes atuais, a amizade parece se desenrolar cada vez mais por meio de minitextos, SMSs ou nos fóruns muito públicos de Facebook ou MySpace.

Boa parte das preocupações com esse uso da tecnologia tem sido voltada, até agora, a suas implicações no desenvolvimento intelectual das crianças. Mas especialistas começam a estudar um fenômeno profundo: a possibilidade de a tecnologia estar mudando a própria natureza das amizades das crianças.

"De modo geral, os temores suscitados pelo ciberbullying e o sexting [troca de mensagens com textos e imagens de teor sexual] têm ocupado o primeiro plano, deixando em segundo plano um olhar sobre coisas realmente nuançadas, como a maneira como a tecnologia está afetando o caráter de proximidade da amizade", disse Jeffrey G. Parker, professor-associado de psicologia na Universidade do Alabama, que estuda as amizades infantis desde a década de 1980. "Estamos apenas começando a analisar essas modificações sutis."
A dúvida é se todo esse envio de mensagens e a participação em redes sociais on-line permite aos adolescentes e crianças ficar mais em contato com seus amigos e lhes dar mais apoio -ou se a qualidade de suas interações está sendo prejudicada pela ausência da intimidade e da troca emocional dadas pelo tempo passado fisicamente juntos.

Ainda é muito cedo para saber a resposta. Escrevendo no periódico "The Future of Children", Kaveri Subrahmanyam e Patricia M. Greenfield, psicólogos, respectivamente, da Universidade Estadual da Califórnia e da UCLA, observaram: "Evidências qualitativas iniciais indicam que a facilidade das comunicações eletrônicas pode estar fazendo os 'teens' terem menos interesse em comunicação cara a cara com seus amigos. São necessárias mais pesquisas para avaliar até que ponto esse fenômeno está presente e quais seus efeitos sobre a qualidade emocional de um relacionamento".

Mas a questão é importante, acreditam estudiosos, porque as amizades infantis estreitas ajudam as crianças a ganhar confiança em pessoas de fora de seu círculo familiar e a deitar as bases para relacionamentos adultos saudáveis. "Não podemos deixar que os relacionamentos bons e estreitos desapareçam. Eles são essenciais para permitir que as crianças brinquem com suas emoções, expressem suas emoções -todas as funções de apoio que acompanham os relacionamentos adultos", disse Parker.

O que veem muitos profissionais que trabalham com crianças são intercâmbios mais superficiais e mais públicos que no passado. Um dos receios é que as crianças e os adolescentes de hoje possam estar deixando de viver experiências que os ajudam a desenvolver empatia, compreender nuances emocionais e interpretar indicações como as expressões faciais e linguagem corporal. Com as obsessões tecnológicas das crianças começando em idade cada vez mais precoce, é possível que seus cérebros acabem sofrendo modificações e que essas habilidades se enfraqueçam mais, pensam alguns pesquisadores.

Mas outros estudiosos da amizade argumentam que a tecnologia está aproximando as crianças mais que nunca. Elizabeth Hartley-Brewer, autora do livro "Making Friends: A Guide to Understanding and Nurturing Your Child's Friendships" (Fazendo amigos: um guia para compreender e alimentar as amizades de seu filho), acredita que a tecnologia permite a adolescentes e crianças ficar conectados com seus amigos 24 horas por dia. "Acho possível afirmar que a mídia eletrônica está ajudando as crianças a ficar muito mais em contato e por mais tempo."

E alguns pais concordam. Beth Cafferty, professora de segundo grau em um subúrbio de Nova York, estima que sua filha de 15 anos envie centenas de mensagens de texto todos os dias. "Acho que eles ficam mais próximos. Qualquer coisa que me vem à mente eu lhe digo imediatamente por mensagem de texto", disse ela. Para algumas crianças ou adolescentes, a tecnologia é um instrumento que facilita uma vida social ativa.

Hannah Kliot, 15, aluna de nona série em Manhattan, diz que usa o SMS para fazer planos e para transmitir coisas que acha engraçadas ou interessantes. Mas também o usa para saber como estão suas amigas que podem estar chateadas com alguma coisa -e, nesses casos, procura conversar realmente com elas. "Mas acho que a nova forma de conversar com uma pessoa é o bate-papo por vídeo, no qual você realmente vê a outra pessoa", disse. "Já dei telefonemas, mas telefonar é considerado antiquado."

Folha de S. Paulo, The New York Times, 10/5/2010

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails